Autor Tópico: Linux para as massas  (Lida 2324 vezes)

Offline Perícope

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Linux para as massas
« Online: 01 de Junho de 2007, 13:40 »
O Ubuntu, uma versão fácil de usar do sistema operacional de código aberto, conquistou 10 milhões de usuários e começa a incomodar a Microsoft

Por Françoise Terzian
EXAME

Desde que o bilionário sul-africano Mark Shuttleworth retornou de uma viagem espacial, o mundo do Linux nunca mais foi o mesmo. Até então, o sistema operacional cujo código pode ser livremente copiado e modificado estava confinado aos servidores -- grandes computadores que controlam as redes empresariais e que são operados apenas por técnicos. A maioria das pessoas não se aventurava a instalar alguma versão de Linux no notebook ou no PC de casa por medo de abandonar o conforto de mexer no onipresente Windows, da Microsoft. Os poucos que se arriscavam eram aficionados da tecnologia. Isso começou a mudar depois da temporada extraterrestre do excêntrico Shuttleworth, que em 2002 se tornou o segundo homem a tirar dinheiro do próprio bolso -- a bagatela de 20 milhões de dólares -- para visitar uma estação espacial. Quando retornou à Terra, Shuttleworth assumiu a missão de desenvolver um sistema para desktops que não fosse apenas gratuito e de boa qualidade, mas também fácil de usar.

Foi assim que nasceu o projeto Ubuntu, palavra no dialeto banto que significa algo como "eu sou porque nós somos". Em outubro de 2004, depois de muitas pesquisas e testes patrocinados por Shuttleworth, o mundo ganhou a primeira versão do Ubuntu, que em pouco tempo se tornaria um dos raros casos bem-sucedidos de distribuição de Linux para PCs. Hoje, pelo menos 10 milhões de computadores pessoais rodam o Ubuntu, número que impressiona pelo pouco tempo de existência do sis tema. As pesquisas feitas no Google com a palavra Ubuntu desde o início do ano passado superam a procura por Mac OS, sistema operacional dos computadores da Apple. O próprio gigante de buscas é um dos usuários empresariais mais famosos desse software livre. No site DistroWatch.com, referência entre a comunidade Linux, o Ubuntu é a distribuição mais procurada e discutida dos últimos 12 meses.

O software de Shuttleworth destacou-se em relação às outras distribuições de Linux pela facilidade de uso e pela alta freqüência com que as atualizações são lançadas. Licio Fonseca, líder da comunidade Ubuntu Brasil -- sim, existe uma --, afirma que outro diferencial é a capacidade que o programa tem de trabalhar com diversos tipos de equipamentos e periféricos. Essas características despertaram a atenção de fabricantes de computadores de todo o mundo. Na Europa, a HP oferece o sistema pré-instalado em alguns PCs. No Brasil, a baiana Preview saiu na frente e tem essa opção à disposição de seus clientes há mais de dois anos. Em entrevista a EXAME, Shuttleworth disse esperar que muitos outros fornecedores brasileiros ofereçam o Ubuntu pré-instalado em suas máquinas. "Sempre me impressiono com o conhecimento e o poder de discernimento que os brasileiros têm do software livre", afirma. Contudo, o maior empurrão para o produto veio da recente adesão da Dell. A fabricante, conhecida por sua fidelidade à Microsoft, chacoalhou o mercado ao anunciar que o Ubuntu havia sido escolhido para rodar em seus primeiros PCs e notebooks com Linux. Com isso, o Windows deixa de reinar sozinho em suas máquinas e será obrigado a ceder espaço -- pequeno, é verdade -- para o sistema rival.

Entenda o fenômeno
Por que o Ubuntu pode finalmente popularizar o Linux
O QUE É?
Trata-se de uma versão do sistema Linux criada para rodar em PCs.A idéia do programa é privilegiar a facilidade de uso
QUEM FAZ?
O projeto é patrocinado pela Canonical, empresa criada e dirigida pelo bilionário sul-africano Mark Shuttleworth
O QUE PREGA?
Que todo dono de computador tenha direito à escolha do sistema operacional, em vez de receber o PC com o Windows, da Microsoft, instalado
POR QUE FAZ TANTO BARULHO?
É a versão de Linux mais fácil de usar. Dell, HP (na Europa) e a brasileira Preview já fornecem PCs com o Ubuntu
QUANTAS PESSOAS USAM?
Mais de 10 milhões de usuários, segundo a Canonical

Ainda que lentamente, o software livre vem crescendo nos computadores pessoais. Amanda McPherson, diretora de marketing da Linux Foundation, organização sem fins lucrativos que promove o sistema de código aberto, estima que 4% dos PCs do mundo rodem Linux. Paradoxalmente, Amanda acredita que esse número possa aumentar com a chegada do Windows Vista, o novo sistema operacional da Microsoft. É que o software exige um computador de grande performance para rodar satisfatoriamente. Quem tiver um PC ou laptop com dois ou três anos de uso será incapaz de instalá-lo.

Apesar do momento favorável, há quem tenha uma visão menos entusiasmada do sucesso do Ubuntu. "Já vi ofertas similares de Linux para PC que fracassaram dois anos atrás", afirma Ralph Koeppen, líder do grupo de serviços corporativos da filial alemã da consultoria Compass. O maior impeditivo para o Ubuntu deslanchar de vez é a cultura Windows -- todo mundo está habituado com o produto da Microsoft --, seguida pelo pacote de aplicativos Office. Dos 8,3 milhões de PCs vendidos no ano passado no Brasil, um recorde de cerca de 1,5 milhão saiu de fábrica com Linux, diz Ivair Rodrigues, diretor da consultoria IT Data. Saiu, mas não permaneceu assim por muito tempo. A maioria dos consumidores que compra um computador com Linux instala uma versão pirata do Windows na máquina em questão de semanas. Mostrar-se atraente o bastante para interromper essa prática será uma prova de fogo para o Ubuntu.

(http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0894/tecnologia/m0130038.html)
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Offline zoroastro

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Re: Linux para as massas
« Resposta #1 Online: 01 de Junho de 2007, 15:53 »
to emocionado :'(
tenho ORGULHO de usar, distribuir, copiar, modificar, e reinstalar ubuntu
eu amo o Projeto Ubuntu

Offline glaubergoncalves

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Re: Linux para as massas
« Resposta #2 Online: 01 de Junho de 2007, 17:07 »
   Quando o IE6 do Windows pirata dos meus irmãos começou a dar problemas, instalei o Firefox na máquina eles. De início acharam estranho, mas com o tempo foram se aclimatando ao novo navegador, descobrindo e se habituando às suas funções, principalmente com as abas, que no Explorer não existiam até a versão 6. Hoje eles tem uma cópia original do Windows instalada, a que eu tinha no meu PC antes de migrar completamente para o Ubuntu. IE7 instalado e atualizado. E eles continuam usando o Firefox...

   Creio que a mudança de cultura começa a acontecer assim que se entra em contato com algo novo, e que este novo deixa de ser assustador, e, principalmente, quando este novo não é apenas a novidade por sí só, mas também traz uma melhoria significativa em relação à forma que se vinha fazendo as coisas antes da mudança. O Ubuntu, na minha opinião, tem o potencial para trazer essas melhorias significativas em relação ao Windows, por sua acessibilidade, recursos, facilidade de uso, robustez, segurança, o foco comunitário, com fóruns de discussão e ajuda em vários idiomas, onde acontece uma grande troca de conhecimento.

   E por fim, a liberdade de se ter um sistema operacional livre, não só como cerveja, mas como discurso (uma pena eu não ter achado um link para o artigo em português), afinal grátis por grátis boa parte das pessoas acaba não pagando por suas cópias do Windows de qualquer forma, e se habituam a conviver com um sistema capenga, que sequer pode ser atualizado de forma adequada. Mas, felizmente, hábitos podem mudar...