Já ouvi muita gente comentar e minha percepção acaba confirmando estes boatos de que rola muiiito isso de produzir software de péssima qualidade para o setor público apenas pretendendo embolsar uma grana...
Outro elemento que me incomoda pra caramba, é que a população de maneira geral não está acostumada a olhar para o que a cerca e não busca, atavés de um pensamento minimamente crítico, pensar sobre essas coisas tão triviais, por exemplo, os computadores que estão ai no nosso dia-a-dia e pouco dedicamos para pensar nossa relação com este suporte. Suponho, por exemplo, que se ouvesse um interesse mais sincero da esfera pública pelo software livre de maneira geral, uma série de problemas estruturais e financeiros poderiam ser contornados, e arrisco dizer até que isso colaboraria para uma melhora de uma série de questões sociais (como uma prestação de serviço mais eficiente e transparente). Porém, duvido muito que sem um mínimo de pressão da população, medidas mais eficientes possam ser tomadas, que no caso aqui seria o uso do software livre.
Hoje em dia, é difícil o pessoal ter uma visão crítica das coisas. O pessoal que saber de facebook e corinthians campeão.
Software livre é a solução para independência tecnológica, balança comercial favorável, transparência, segurança, criação de postos de trabalho e muitas outras coisas. Pena que ninguém vê isso. Preferem comprar solução pronta e caixa fechada que é os software proprietários (q em geral são americanos, perdemos uma fortuna para eles).
Se alguém tem que correr atrás, somos nós! Temos que nos movimentar e interagir mais, incentivar e mobilizar a sociedade à adotar formatos, protocolos e softwares livres, mostrar para eles que depender por vezes de uma única empresa pode ser totalmente nocivo, tanto por questões de inibição de concorrência nacional, como questões de soberania nacional (ninguém sabe como funciona por dentro softwares e formatos proprietários, quem garante que não há informação sendo passada para governos de outros países e concorrentes internacionais da área de TI?).
Em relação ao tema central deste tópico, é ótimo ver órgãos públicos adotando o ODF. Imagina uma Universidade, do porte da USP, Unicamp ou Unesp, desenvolvendo tecnologia de ponta, e salvando seus documentos em formatos proprietários. Como saber que o software usado em questão, que também é proprietário, não está enviando informações sigilosas para fora? E outra questão é em relação a abertura desses arquivos futuramente, será viável abrir esses documentos daqui à 10, 20 ou 30 anos? Temos bons exemplos de formatos que após 10 ou 15 anos, são impossíveis de se abrirem, como o Carta Certa, ou os documentos gerados por versões antigas do M$ Office.